Não tem hobbit, não tem Frodo, quase não tem diálogo. É a história de antes de tudo, e explica muita coisa d’O Senhor dos Anéis.
Aviso: esse não é como os outros. Não tem personagem principal, não tem hobbit, e os capítulos pulam centenas de anos. O Tolkien escreveu essas histórias a vida inteira e morreu sem terminar; o filho dele juntou tudo e publicou. Parece a Bíblia da Terra-média, e é assim que tem que ler: devagar e com o índice de nomes do lado, porque são muitos nomes e metade começa com F.
Começa com a criação do mundo, que é feita com música. Deus propõe um tema, os anjos cantam, e um deles, o Melkor, resolve cantar a música dele por cima. É daí que vem todo o mal do mundo. Achei essa ideia linda: o Melkor nunca cria nada, só estraga o que os outros fizeram. O Sauron, que é o vilão d’O Senhor dos Anéis, é só um servo dele.
A história principal é das Silmarils, três joias que o elfo Fëanor fez com a luz das Duas Árvores. O Melkor rouba, o Fëanor e os sete filhos juram recuperar custe o que custar, e esse juramento arrasta todo mundo para séculos de guerra. Dentro disso tem histórias que valem o livro: Beren e Lúthien, um homem e uma elfa que entram na fortaleza do inimigo para roubar uma joia da coroa dele; e Túrin, que tenta fugir do destino e cai direto nele. Essa é a mais triste que já li.
É pesado e quase ninguém termina bem. Mas depois dele, O Senhor dos Anéis fica outro livro. Toda música em Valfenda, toda menção a tempos antigos, tudo o que parecia enfeite agora tem história atrás. Valeu cada página difícil.
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