Philippa Perry não ensina a criar filhos. Ensina a olhar para como você foi criado, antes de repetir. Li durante a gestação, esperando o Heitor.
Li este livro durante a gestação da Allay, me preparando para a chegada do Heitor. Era o que eu esperava de um livro sobre paternidade: dicas, fases, o que fazer quando a criança faz tal coisa. Não é isso. Philippa Perry, que é psicoterapeuta, gasta a primeira parte inteira falando não do filho, mas de você, e da sua relação com os seus pais. A tese é que a gente não cria os filhos a partir do que lê. Cria a partir do que viveu, e repete o que não examinou.
Daí o título. O livro é sobre o que você gostaria que tivesse acontecido, e sobre reconhecer, quando a criança faz algo que irrita demais, que a irritação muitas vezes é antiga: é a sua infância reagindo, não você. Perry pede para notar isso antes de agir. Não para ser perfeito, mas para quebrar o ciclo quando dá, e pedir desculpa quando não dá. A ideia de que reparar o erro vale mais do que nunca errar foi a que mais me acalmou.
As outras partes falam de vínculo, de sentimentos, de comportamento. O ponto comum é um só: o comportamento da criança é comunicação. Antes de corrigir, entender o que está sendo dito. É simples de escrever e difícil de fazer com um bebê chorando às três da manhã, e o livro sabe disso. Não tem tom de cobrança. Tem tom de alguém que já errou e conta.
Não sei ainda se virei o pai que o livro descreve. Mas li antes de precisar, e isso já mudou as primeiras semanas.
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