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Atlantis: arqueologia de mergulho com tiro

Atlantis, de David Gibbins (2005)

David Gibbins é arqueólogo submarino de verdade e escreveu um thriller sobre encontrar Atlântida. A parte da arqueologia é melhor que a do thriller.

Jack Howard é arqueólogo marinho, tem um navio de pesquisa de ponta, um amigo engenheiro que resolve qualquer problema técnico e uma equipe pequena. Um papiro encontrado num naufrágio do Mediterrâneo contém o relato que um sacerdote egípcio teria feito a Sólon sobre Atlântida, o mesmo que Platão conta de segunda mão. Junto com um disco minoico encontrado em Creta, o papiro aponta para um lugar que ninguém esperava: o Mar Negro. A partir daí o livro é uma corrida, com um senhor da guerra e um submarino soviético no meio.

A tese que Gibbins usa é real, ou pelo menos séria: a de que o Mar Negro era um lago de água doce até cerca de 5600 a.C., quando o Mediterrâneo transbordou pelo Bósforo e afogou a costa inteira em poucos anos, espalhando os povos que viviam ali. A ideia de que Atlântida seria a memória de uma cidade neolítica submersa nesse dilúvio é a melhor coisa do livro. Gibbins é arqueólogo submarino de verdade, e as partes em que ele descreve mergulho, sedimentos, como se escava embaixo d’água e o que acontece com um casco de madeira em água sem oxigênio têm uma autoridade que nenhum Dan Brown tem.

O problema é o resto. Quando a história precisa de vilão, aparece um vilão de filme B, com soldados, helicópteros e uma fortaleza. Os heróis atiram bem, sobrevivem a tudo e explicam a história da humanidade uns aos outros entre uma explosão e outra. Os personagens são funções, não pessoas, e os diálogos servem para despejar informação. Quem vem de Anjos e Demônios reconhece a receita, mas com menos ritmo.

É um livro que eu recomendaria pela metade. Metade pela ideia e pelas cenas submersas, que são ótimas. A outra metade, a dos tiros, dá para esquecer.


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