Clóvis de Barros Filho e Júlio Pompeu discutem, em diálogo, de onde vem o valor das coisas. O título é provocação. O conteúdo é mais gentil do que parece.
Veio depois de Somos Maquiavélicos, do mesmo Júlio Pompeu, agora em dupla com Clóvis de Barros Filho. O formato é diálogo: os dois conversam, discordam, puxam exemplos, e a gente lê como quem está na mesa ao lado. É o formato que mais combina com os dois, que são professores de falar.
O tema é valor. O que faz uma coisa valer, e para quem. Os dois passam pelos gregos, pelos moralistas, pelos utilitaristas, sempre com a mesma pergunta: quando eu digo que algo é bom, estou dizendo o quê? Que é bom para mim? Para todos? Que me foi ensinado? E a resposta que vai se formando é a do título: no fundo, todo mundo valoriza a partir do próprio interesse, do próprio prazer, da própria conveniência, e depois dá a isso nomes mais bonitos. Canalhas, todos, no sentido de que ninguém escolhe de fora de si mesmo.
Dito assim parece cínico, e o livro não é. A graça está em perceber que admitir isso é o começo de alguma honestidade. Quem reconhece que valoriza por interesse pode, pelo menos, escolher melhor os interesses. Quem acha que valoriza por pura virtude não tem o que examinar.
Combina com o livro anterior: lá, Maquiavel para o dia a dia; aqui, a pergunta de antes, sobre por que a gente quer o que quer. Boa de ler em voz alta, e rende conversa.
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