Clóvis de Barros Filho dá a palavra a um gato, e o gato explica os humanos. É o livro mais leve dele, e não o menos certeiro.
O narrador é um gato. Epaminondas observa os humanos da casa com a distância de quem não precisa deles, ou finge que não, e vai explicando o que vê: a pressa, a vaidade, o medo de ficar sozinho, a mania de dar nome a tudo, a dificuldade de simplesmente ficar quieto no sol. Clóvis usa isso para fazer filosofia e um pouco de psicologia sem parecer que está fazendo, e funciona, porque um gato pode dizer coisas que um professor não pode.
O truque é velho e bom: olhar o humano de fora. Quando é o gato que estranha a gente correndo para o trabalho e voltando cansado para correr de novo no dia seguinte, a pergunta sobre o sentido disso fica mais difícil de ignorar. Os temas são os do Clóvis de sempre, alegria, convivência, tempo, potência de viver, mas o tom é de piada, e a piada ajuda a engolir.
Não é um livro para quem quer rigor. É um livro para rir de si mesmo e, no meio da risada, pegar uma ou duas ideias para levar. O gato tem razão em quase tudo, o que é um pouco humilhante.
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