Um livro pequeno em volta de uma pergunta só: se você pudesse escolher de novo, escolheria a vida que está vivendo?
É o livro mais conhecido do Clóvis de Barros Filho, e também o mais simples. Não tem sistema, não tem tese nova. Tem uma pergunta, feita em várias direções: o que faz uma vida valer a pena? E a resposta dele, que vem de Espinosa e de Nietzsche, cabe numa frase: a vida que vale a pena é a que você escolheria viver de novo, igual, sabendo o que sabe.
A partir daí ele passa pelo que costuma dar sentido: o trabalho, o amor, a amizade, a convivência, o tempo. E em cada um mostra a diferença entre fazer porque é esperado e fazer porque aumenta a potência de viver. O critério é a alegria, no sentido de Espinosa: não um sorriso, mas a sensação de estar mais capaz, mais vivo, mais você. O que gera isso vale. O que diminui, mesmo que pareça obrigação, não vale.
O que me pegou foi a parte sobre convivência. Ele diz que ninguém é feliz sozinho, mas que também não é qualquer companhia que serve: tem gente que aumenta a gente e gente que diminui, e a vida que vale a pena é, em boa parte, a escolha de com quem a gente passa o tempo. Parece óbvio, e é. Mas eu olhei para a minha agenda depois de ler.
É um livro com linguagem de conversa e exemplos do cotidiano. Não vai mudar a vida de ninguém. Vai fazer a pergunta, e a pergunta fica.
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