Clóvis de Barros Filho e Júlio Pompeu transformam um curso de anos em capítulos sobre amor, morte, liberdade, felicidade e companhia. É o melhor lugar para começar.
O livro nasceu de um curso que os dois deram durante quase dez anos na Casa do Saber, e isso se nota: cada capítulo tem o ritmo de uma aula boa, com começo, exemplos, e um final que deixa a pergunta mais clara do que quando entrou. As grandes questões são as de sempre, as que todo mundo se faz pelo menos uma vez: o que é o amor, por que morremos, se somos livres, o que é ser feliz, por que precisamos dos outros, o que é justo.
Para cada uma, os autores apresentam o que alguns filósofos responderam, em geral dois ou três de posições opostas, e deixam o leitor no meio. Platão e Epicuro sobre o amor. Os estoicos e Heidegger sobre a morte. Espinosa e Sartre sobre a liberdade. Não é uma história da filosofia nem um resumo de cada autor; é a pergunta primeiro, e os filósofos como quem entra na conversa para ajudar.
O que mais gostei foi a parte sobre felicidade, que é onde o Clóvis mais se repete em outros livros, e aqui aparece pela primeira vez: a ideia, vinda de Espinosa, de que felicidade é alegria que dura, e alegria é a sensação de potência, de estar conseguindo. Não é ter, é poder. Mudou o jeito como eu uso a palavra.
Para quem quer começar a ler filosofia e não sabe por onde, é este. Depois dele, os outros do Clóvis ficam mais claros, e os originais ficam menos assustadores.
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