Parábolas ambientadas na Babilônia para ensinar a guardar dinheiro. Simples ao ponto de parecer bobo, e é por isso que funciona.
É de 1926 e foi escrito como uma série de folhetos que bancos e seguradoras americanos distribuíam aos clientes. Clason teve a ideia de vestir os conselhos como parábolas antigas, com nomes babilônicos e carruagens, e o truque deu tão certo que o livro vende até hoje. Tem menos de duzentas páginas.
A história central é a de Arkad, o homem mais rico da cidade, que explica a dois amigos pobres, um fabricante de carruagens e um músico, como enriqueceu. A resposta é uma regra só: guarde para você uma parte de tudo o que ganha, pelo menos um décimo, antes de pagar qualquer outra coisa. Pague-se primeiro. Depois faça esse dinheiro trabalhar, com cautela, e nunca com quem não entende do que está fazendo. O resto do livro desdobra isso em listas: os sete remédios para uma bolsa vazia, as cinco leis do ouro, as histórias de quem se endividou e saiu.
É simples ao ponto de parecer bobo. Mas a simplicidade é o argumento: quase ninguém faz isso. Todo mundo sabe que devia guardar antes de gastar, e quase todo mundo gasta primeiro e guarda o que sobra, que é nada. Clason não ensina nada que um avô não ensinaria. Ensina de um jeito que fica na cabeça, porque é história e não planilha.
Tem o que envelheceu: o tom moralista, a ideia de que o pobre é pobre por falta de disciplina, nenhuma palavra sobre o mundo em que a pessoa não consegue guardar um décimo porque o salário acaba no dia quinze. Isso incomoda, e é justo que incomode.
Mesmo assim, foi o primeiro livro de finanças que li inteiro, e a regra do décimo ficou. Para começar, ele é melhor do que livros mais sofisticados, porque não assusta.
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