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Essencialismo: menos, mas melhor

Essencialismo: a disciplinada busca por menos, de Greg McKeown (2014)

Greg McKeown defende uma ideia só, e defende bem: quase tudo que a gente faz não importa, e o que importa merece tudo.

É um livro de uma ideia. Dá para resumir na frase que ele repete o tempo todo: menos, mas melhor. Se você entendeu isso, entendeu o livro. O que justifica ler as duzentas páginas é que McKeown mostra, com bastante paciência, por que a gente sabe disso e não faz.

A tese é que existem dois jeitos de viver. O não essencialista diz sim para tudo, acha que consegue fazer tudo, e termina fazendo um milímetro de progresso em cem direções. O essencialista parte do princípio de que quase tudo é ruído, escolhe poucas coisas, e avança de verdade nelas. A diferença não é de capacidade, é de postura: um deixa os outros escolherem por ele, o outro escolhe.

Tem um detalhe de vocabulário que me marcou. A palavra “prioridade” entrou na língua no singular e ficou no singular por quinhentos anos. Só no século XX a gente inventou “prioridades”, no plural, como se fosse possível ter várias coisas em primeiro lugar. McKeown diz que não é. Ou é a primeira, ou não é prioridade.

O livro é dividido em três partes práticas. Explorar: criar espaço para pensar, dormir, brincar, antes de decidir. Eliminar: dizer não com educação, desistir do que já não faz sentido mesmo depois de ter investido, e aceitar que toda escolha é uma troca, não um acúmulo. Executar: colocar folga nos planos, tirar o obstáculo em vez de empurrar mais força, e fazer da rotina o lugar onde o essencial acontece sem esforço. A regra que mais uso é a dos 90%: se uma oportunidade não é um sim claro, é um não claro. Um “talvez” custa mais do que parece.

Tem muita coisa de livro de negócios americano: exemplos de executivos, frases de efeito, o mesmo ponto dito de cinco jeitos. Dá para ler pulando. Mas a ideia central é verdadeira, e trabalhar com tecnologia é uma aula diária de como ela é ignorada: sempre tem mais um projeto, mais uma reunião, mais uma ferramenta, e ninguém pergunta o que sai para dar lugar. Esse livro me fez perguntar.


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