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Cercado de Idiotas: quatro cores para as pessoas

Cercado de Idiotas, de Thomas Erikson (2014)

Thomas Erikson divide o mundo em vermelhos, amarelos, verdes e azuis. Não é ciência, e ele quase admite. Como vocabulário, ajuda.

O título vem de uma conversa. Erikson, consultor sueco, conta que um empresário disse a ele que estava cercado de idiotas: ninguém entendia o que ele queria, ninguém fazia como ele faria. A resposta do livro é que o idiota, na maior parte das vezes, é só alguém que funciona diferente. E para explicar o diferente ele usa quatro cores.

Vermelho é quem decide rápido, fala direto, quer resultado e não tem paciência com rodeio. Amarelo é quem fala muito, entusiasma todo mundo, tem dez ideias por hora e termina três. Verde é quem evita conflito, prefere o conhecido, segura o time e nunca diz o que realmente acha numa reunião. Azul é quem quer os dados, lê o manual inteiro, acha que o amarelo é irresponsável e o vermelho é grosseiro. A maioria das pessoas é mistura de duas. O livro gasta um capítulo em cada cor, depois mostra como cada uma vê as outras e como se adaptar: ser breve com o vermelho, deixar o amarelo falar, dar tempo ao verde, mandar os dados por escrito ao azul.

O modelo não é novo nem científico. É uma versão simplificada do DISC, um teste de personalidade dos anos 1920 que a psicologia acadêmica não leva a sério, e Erikson foi bastante criticado na Suécia por vender como fato o que é, no máximo, metáfora. Ele mesmo diz, em algum ponto, que ninguém é só uma cor. Vale ler sabendo disso.

Dito isso, funciona como vocabulário. Depois do livro, em reuniões, eu reconhecia o padrão: o azul pedindo mais um dado, o vermelho querendo fechar, o verde concordando com tudo e depois não fazendo. Não porque as cores sejam verdadeiras, mas porque me lembravam de que a pessoa não estava sendo idiota, estava sendo ela. Isso sozinho já valeu as duzentas páginas.

É leve, tem humor. Só não confunda com psicologia.


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