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A Revolução dos Bichos: todos são iguais, mas alguns são mais

A Revolução dos Bichos, de George Orwell (1945)

Orwell conta a história de uma revolução numa fazenda, com bichos no lugar de gente. Dá para ler como fábula, como história e como aviso.

É uma fábula, e Orwell faz questão de chamar assim. Os animais de uma fazenda, cansados do dono bêbado que os explora, expulsam o homem e tomam o lugar. Escrevem sete mandamentos na parede do celeiro, o último deles dizendo que todos os animais são iguais. Os porcos, que sabem ler, assumem a organização. E o resto do livro é a distância entre o celeiro no dia da vitória e o celeiro no fim, quando os mandamentos foram reescritos um a um, até sobrar só uma frase: todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.

A história é a da Revolução Russa, e dá para encaixar cada bicho num nome: o porco que é expulso e vira inimigo oficial, o porco que fica e vira o Líder, os cachorros que ele cria em segredo, o cavalo que trabalha até cair acreditando que o problema é ele não trabalhar o bastante. Mas o livro funciona mesmo sem o mapa. O mecanismo que Orwell descreve, de como uma ideia boa vira seu contrário sem que ninguém perceba o momento exato, não precisa de Rússia para acontecer.

O que mais me marcou foi a reescrita dos mandamentos. Não é feita de uma vez. É uma palavra aqui, uma ressalva ali, sempre à noite, e de manhã os bichos olham a parede e acham que lembravam errado. O porco que fala bem explica que sempre foi assim. E eles aceitam, porque a alternativa é admitir que foram enganados, e isso dói mais.

É curto e tem um final que não precisa de explicação: os bichos olham pela janela, de porco para homem e de homem para porco, e já não conseguem dizer qual é qual.


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